quarta-feira, 7 de novembro de 2012

ENADE - texto importante

Um novo olhar sobre o Enade
Por Luzia Félix da Silva (*)

*       Outro dia em uma sala de espera de um consultório inevitavelmente ouvi a conversa de dois jovens - um deles está prestes a se formar em um curso de graduação, e falava sobre o Exame Nacional de Desenvolvimento Estudantil (Enade) que fará no dia 25 de novembro deste ano.

*      O jovem falava com tanto pesar a participação na avaliação, que o semblante dele parecia carregado com uma tonelada de aço. E de tão deprimente, acabei me induzindo a um momento nostálgico.

*      Quem dera na época da minha juventude pudesse ter tido a oportunidade de fazer uma graduação em tão tenra idade, já que tudo era mais difícil e distante para a maioria dos jovens que conseguiam concluir o 2º grau, atualmente denominado de Ensino Médio.

*      Concluir o ensino Superior era para poucos, pois não tinha tanta oferta e oportunidade quanto se tem hoje, começando pelo número de instituições de ensino, bolsas de estudos como o Prouni [Programa Universidade para Todos], Vale Universidade e Fies [Financiamento Estudantil], entre outros e que hoje só não estuda quem não quer.

*      Naquela época, era necessário ingressar cedo no mercado de trabalho e qualquer tipo de curso custava uma fortuna, e isso acabava sendo uma oportunidade para poucas pessoas, normalmente apenas aos filhos de coronéis e alguns afortunados, o que não era o meu caso.

*      Mas em uma fração de segundos retornei àquele tempo e fiquei imaginando o quanto nos faziam orgulhosos passar por qualquer tipo de situação onde pudéssemos defender a escola, a família, o bairro ou até mesmo a rua onde morávamos.

*      Qualquer evento era rodeado de "pomposidade" e de expectativas que tornavam o assunto do momento. Fiquei imaginando como seria se naquela época os estudantes pudessem ter a oportunidade de defender a sua instituição e o seu curso de graduação em nível nacional, como é o caso do Enade.

*      Não há a menor dúvida que por certo os estudantes colocariam a melhor roupa e engraxariam os sapatos surrados! Surrados, porque não tínhamos a infinidade de modelos que se tem no mercado para comercializar e nem mesmo dinheiro para comprá-los. Possivelmente, nem dormiriam na véspera para não correr o risco de perder a hora da prova. Esse momento seria esperado como algo mágico, como uma oportunidade ímpar.

*      Com certeza depois da prova, os jovens se reuniriam para discutir os assuntos que haviam sido cobrados e as respostas pertinentes a cada questão. Se ainda persistissem as dúvidas, com certeza os professores seriam procurados e por algumas semanas essa prova seria discutida e estudada pela classe estudantil, pois na época não se tinha tantas oportunidades de aprendizado. Se quisesse saber um pouco mais, era necessário se debruçar sobre os poucos livros da biblioteca para aprofundar algum assunto que fosse interessante.

*      Infelizmente hoje, são tantas as formas de conhecimentos que se percebe a desvalorização de fatos tão importantes quanto o Enade. Atualmente, as coisas são tão mais fáceis que a maioria dos jovens parece banalizar o que poderia ser carregado como um escudo de formação e qualificação profissional para ingressar no mercado de trabalho.

*      Participar do Enade é defender o que você estudou. Mostrar tanto para a sociedade que você está apto para ser um profissional de sucesso, como para as empresas que você é a pessoa que vai fazer a diferença quando for contratado pela organização para demonstrar as suas habilidades e competências.

*      Ao fazer a prova, demonstre aos avaliadores que você vai fazer a diferença em uma geração que tem todas as ferramentas para conquistar e criar novos horizontes. Não subestime o poder que lhe é proporcionado nesse instante. O tempo passa rápido demais e pode ser que você não tenha outra chance de mostrar o quanto é capaz.

*      Então caro estudante, dê o melhor, faça o melhor porque você é o melhor, mas o mercado de trabalho precisa saber disso e só você pode confirmar isso fazendo uma ótima prova.

(*)Luzia Félix da Silva é coordenadora do curso de Ciências Contábeis do Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande – unidade 1


Prof. Henrique Rauch, Ms.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Prata da Casa

THE MUBARACK WAY – 28/05/2012

A PRATA DA CASA

Na revista EXAME, de 30/05/2012, há uma reportagem sobre uma questão muita discutida na gestão das empresas: é melhor promover a prata da casa, inclusive para os cargos executivos, ou é preferível buscar executivos na rua? Um estudo da escola de negócios Wharton mostra que os executivos que vêm do mercado ganham em média 18 % a mais do que seus pares promovidos internamente, têm um risco 61 % maior de não atingirem bons resultados e ser demitidos e 2 anos é o tempo médio para se adaptarem e produzir resultados.

Outro artigo na mesma semana do jornal Valor também reforça a tese de que promover internamente é melhor. Diz um parágrafo: "Esses dados fazem parte de um amplo estudo da Booz & Company com 2500 empresas de capital aberto, sendo 162 do Brasil. De acordo com o levantamento, a efetividade dos dirigentes formados "em casa" é comprovada ao longo do tempo. Entre 2008 e 2011, eles conseguiram um retorno quatro vezes maior para os acionistas do que aqueles que vieram do mercado. Além disso, a pesquisa mostra que seus mandatos costumam ser mais longos e eles permanecem, em média, um ano a mais no cargo". 

Particularmente, não tenho dúvidas sobre o que os fatos comprovam: desenvolver e promover é melhor, sempre. Executivos de mercado trazem, normalmente, vícios de "outras vidas", comportam-se de forma mais arrogante e também trazem suas equipes. Evidentemente, algumas vezes, é impossível não trazê-los, quando a empresa cresce muito rapidamente e não tem tempo de formar internamente os gestores de que necessita ou quando uma nova especialidade surge na companhia e não há recursos internos. Nestes casos, precisa funcionar fortemente o processo de seleção: somente trazer gente humilde, que não venha com ares de "salvador da pátria" e que esteja alinhado com os valores da empresa. 
Certa vez, um gerente de RH disse-me: "é preciso, de vez em quando, oxigenar a empresa". E eu perguntei-lhe: "Mas quem foi o irresponsável que deixou faltar oxigênio na empresa?". O oxigênio significa um processo muito forte de captação de talentos para os cargos mais simples, formação, treinamento, desenvolvimento e qualificação de profissionais. Estes gostam da empresa, conhecem-na e são conhecidos, ou seja, a probabilidade de se errar quando eles são promovidos é muito menor. Eles precisam ser avaliados constantemente, desafiados e recompensados. Esta é a receita para uma grande empresa. Trazer muitos gestores de fora e não treinar, promover e reter internamente é a receita do lixo. Quantas empresas realmente têm um processo de recursos humanos que se preocupe com a sucessão? Raríssimas! Aí, só resta mesmo ir para o mercado buscar o milagre. 

Paulo Ricardo Mubarack

Prof. Henrique Rauch, Ms.